domingo, 8 de março de 2009

2 Farsas Clássicas que Ainda Persistem nos Livros Didáticos (1 de 2)

Livros são armas intelectuais. A influência que podem causar é às vezes sentida em um período de milênios tamanho o seu impacto numa sociedade. Livros são idéias com propósito e são a fonte de grande parte da informação disponível no mundo. No entanto, nem toda informação publicada na forma de um livro é confiável. Certamente, vivemos dias semelhantes aos que Isaías descreve, no Capítulo 5, verso 20: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!".

Portanto, precisamos ser críticos quanto àquilo que lemos ou ouvimos, pois informação não confiável é uma arma destrutiva contra uma sociedade, porque esta fica presa a mentira e toda mentira produz o engano e a desordem. Infelizmente a Ciência não está livre de farsas. Vejamos duas dessas farsas que ainda persistem nos livros didáticos.

A primeira delas é a Lei Fundamental da Biogenética ou Lei Biogenética[1], anunciada pelo famoso biólogo naturalista e filósofo alemão Ernst HAECKEL (1834 – 1919), considerado um dos pesquisadores mais impressionantes de seu tempo. Essa Lei exprimia a máxima de que “a ontogênese é a recapitulação da filogênese”. Em outras palavras, os estágios embrionários dos vertebrados lembrariam a história da teoria evolutiva, conforme a figura abaixo.

Phillip E. Johnson diz que a definição de homologia[2] feita por Darwin refletiu uma crença muito difundida entre os evolucionistas de que essa Lei constituía uma evidência para a validação da teoria evolutiva. Mas, em relação às imagens dos embriões, estas foram desacreditadas pelo próprio HAECKEL como um argumento científico, conforme ele próprio escreveu em um jornal, “Berliner Volkszeitung”, de 29/12/1908:

“... quero começar confessando com arrependimento que uma pequena parte de minhas numerosas fotografias de embriões é realmente falsificada – refiro-me a todas aquelas nas quais o material de observação existente é tão incompleto ou insuficiente que, na produção de uma cadeia de desenvolvimento coerente, somos obrigados a preencher as lacunas por meio de hipóteses”.

Reinhard Junker e Siegfried Scherer ainda nos diz que este pedido de desculpas não corresponde a toda a verdade, pois no século XIX, anatomistas contemporâneos como v. BAER, RATHKE (1793-1860), REICHERT (1811-1883), KOLLIKER (1817-1905) ou HIS (1831-1904) forneceram em seus trabalhos sobre Embriologia dos vertebrados ou do ser humano fatos que HAECKEL simplesmente desconhecia ou não levou em consideração, a fim de poder apresentar sua visão das coisas sem contradição.

Johnson conclui dizendo que embriões recapitulando formas ancestrais adultas ou, especificamente, seres humanos passando por estágios de peixes e répteis, por exemplo, nunca foram apoiadas pela evidência, e que os embriologistas descartaram isso em silêncio. Porém, a Lei da Biogenética era tão agradável teoricamente que gerações de estudantes de biologia aprenderam isso como fato.

E ainda aprendem! Eu podia citar qualquer livro, mas escolhi um que usei para os meus estudos na época do meu vestibular e que agora o meu irmão também faz o seu uso. No livro “Biologia Hoje – Volume 3”, dos autores Sérgio Linhares e Fernando Gewandsznajder, 10ª edição, um dos livros sobre Evolução muito adotado entre os professores de segundo grau, encontramos a seguinte “evidência” no capítulo 11, página 194:

“Peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos são muito diferentes quando adultos, mas seus embriões são bastantes semelhantes. Por que isso acontece? Novamente estamos diante de uma evidência em favor da evolução. A explicação é que todos esses animais descendem de um ancestral comum. A partir de uma organização básica, que aparece no embrião, surgem novos órgãos, adaptados ao modo de vida do adulto. O que a evolução faz é “aproveitar” uma estrutura preexistente, modificando-a lentamente ao longo do tempo...A embriologia comparada permitiu a descoberta de parentesco entre espécies.”. Logo abaixo desse texto está a figura que HAECKEL produziu, mesmo já se passando mais de 100 anos após a sua confissão pública de adulteração das fotos.

Qual o por quê disso? Porque será que ainda encontramos nos livros didáticos supostas evidências a favor da teoria naturalista de Darwin que já foram desacreditadas pela própria comunidade científica? O que está por trás dessa posição afoita dos livros de biologia? Paira no ar uma neblina misteriosa envolta num clima de religião e não de ciência...

No próximo post, comentaremos a segunda farsa clássica da teoria naturalista evolutiva.


1. Lei Biogenética: “A ontogênese, ou o desenvolvimento dos indivíduos orgânicos como a seqüência de alterações da forma pela qual todo organismo individual passa durante toda a sua existência, é diretamente condicionada pela filogênese, ou o desenvolvimento do filo (Phylon) orgânico ao qual o mesmo pertence”. “A ontogênese é a recapitulação curta e rápida da filogênese, condicionada pela função fisiológica da hereditariedade (procriação) e adaptação (nutrição)” (HAECKEL 18866, S. 300). Não se encontra qualquer definição clara de HAECKEL sobre essa Lei. Em suas inúmeras obras existe uma multiplicidade de formulações com complementações e restrições. Em 1866, HAECKEL apresentou suas opiniões pela primeira vez na “Morfologia Geral dos Organismos” (Vol. II, p. 300 e s.) sob o título “Teses do Nexo Causal do Desenvolvimento Biôntico e Filético”. Em 1872 ele elevou essas teses à Lei Fundamental da Biogenética (Die Kalks – chwamme – Calcispongae, Berlim 1872).

2. Homologia: “Na Biologia distinguem-se duas formas de semelhança: Homologia e Analogia. O conceito de Homologia tem definições bastante diversas, nas quais, em parte, já está assimilada uma interpretação. Por conseguinte, deve-se distinguir entre definições analíticas ou descritivas e definições históricas. Desse modo, DIEHL (1980, p. 24) faz a seguinte definição analítica: Homologia é a equivalência de estruturas no plano construtivo de diversos seres vivos. Em outras palavras, é o estudo de semelhanças anatômicas entre espécies. Por exemplo, estudando os detalhes da anatomia do braço de um homem, da nadadeira do golfinho e da asa do morcego vemos que apesar de terem funções diferentes esses órgãos apresentam o mesmo “padrão de construção”. Isto é, mostram uma arrumação de ossos, músculos e nervos muito semelhantes. Para os evolucionistas, tais semelhanças indicam que esses órgãos evoluíram a partir de um mesmo órgão – a pata- que se adaptou a funções diferentes.

10 comentários:

Anônimo disse...

Desculpe, pessoal, mas a crítica à teoria da evolução, neste caso, não procede.
Haeckel exagerou nas semelhanças, mas elas existem realmente e podem ser vistas em fotos de embriões. O erro de Haeckel não invalida o fato de que embriões de mamíferos possuem várias características presentes em embriões de outros vertebrados. A semelhança, porém, ocorre entre embriões e não entre embriões e formas adultas, como pensava Haeckel.
Constaem isso nas fotos de embriões em:
http://www.millerandlevine.com/km/evol/embryos/Haeckel.html
Consultem também livros de embriologia, onde poderão ver, por exemplo, a presença de arcos, bolsas e sulcos faríngeos (ou branquiais) em todos os embriões de vertebrados.
abraços
Araujo

Anônimo disse...

Na edição atual do Biologia Hoje vol.3 não há mais o desenho dos embriões. O livro só diz que todos os embriões de vertebrados possuem sulcos na faringe que originam brânquias nos peixes e no ser humano dão timo, tonsilas, etc.
Paula

Danilo Neves disse...

Caro, Araujo. A crítica é quanto ao uso dessa Lei para evidenciar a Teoria Darwinista (ou Neodarwinista e por aí vai...). Não transcrevi para o post, mas Phillip Johnson cita ainda Stephen Jay Gould, ferrenho e renomado naturalista evolucionista, que diz ter aprendido a fórmula do Haeckel na escola, 50 anos depois de ter sido descartada pela ciência (vide livro “Darwin no banco dos réus”, pág. 78, editora Cultura Cristã. Obs.: este livro, escrito em 1993, é por muito intelectuais considerado como a primeira obra séria que ameaça o evolucionismo a aparecer nos últimos 40 anos. Para uma crítica anti-evolução mais completa sugiro a leitura deste livro, que não tem nada de criacionista do tipo enfurecido que não tinha nada pra escrever. É obra séria, que causou grande impacto na comunidade científica por ocasião do seu lançamento, provocando reações, resenhas e contestações de grandes nomes do meio científico, como o próprio Gould. Por curiosidade, Johnson é advogado e não um pastor ou teólogo. Sugiro também a leitura de “A Caixa Preta de Darwin” de Michael Behe, conforme já postei aqui no blog). Obrigado por opinar!

Cara, Paula. Obrigado pelo comentário e por me atualizar. Apenas defendo que essa atualização dos livros didáticos deveria ser feita em 1908 e não agora. Sinta-se a vontade pra retornar a este espaço.

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

1. PRezado Danilo, parabéns pelo artigo. É mais fácil crermos nas mentiras dos homens, do que nas verdades de Deus. O Eterno conceda-lhe sabedoria para refutar esta falácia da teoria da evolução. Você quer "provar" algo para um ateu: Então chame ele [a] para um jantar, e pergunte a ele [a] se teve um cozinheiro.

2. Pode publicar a introdução do meu singelo texto e usar o link. Não esqueça de mencionar o autor, bem como a bibliografia. Aproveito a oportunidade para lhe dizer que escrevi um novo texto: O Trono de Deus - Ap 4 - Leia e depois comente.

um abração, Pr Marcello

Pr. Marcos Serafim disse...

Caro Danilo Neves:
Sempre que se fala sobre a teoria darwinista causa certas criticas para alguns de seus defensores, portanto seu texto é lúcido, e sua critica acentuada, parabéns.

Em Cristo, Sola Fide Marcos.
Quando quiser visitar:
www.blogdomarcosserafim.blogspot.com

Danilo Carlos disse...

Concordo com o Neves: a pergunta que fica é que se em 1908 esta teoria foi questionada pelo próprio autor, confessando ter fraudado as fotografias, porque a mesma foi revisada (e ainda está sendo em alguns livros) e não mais aceita somente por agora, depois de 100 anos?

Lembro-me muito bem que quando estudei a matéria no 3º ano (isto faz 6 anos) isto foi tratado como uma verdade pelo professor da época (não vou citar nomes...hheheeh.

E o questionamento que temos é que sempre qualquer assunto que trate de origem das espécies, atualmente, é dito como verdade absoluta e não como teoria. Vemos isto nas salas de aula de 2º grau (não sei como é no âmbito de Universidade em cursos da área, pois fiz Engenharia), na mídia (assistam as reportagens do Bom dia Brasil sobre os 100 anos de Darwin e constatem) e em diversos livros.

Tanto é que o livro "Darwin no banco dos réus" citado pelo Neves é uma das primeiras obras sérias a questionar com fundamentos científicos e ameaçar o darwinismo. Mas ainda temos em muitos veículos que o darwinismo é algo certo e comprovado.

Portanto, como disse o Neves, que nós, jovens cristãos, desenvolvamos um senso crítico (sempre fundamentado na palavra de Deus) para que não sejamos enganados por tudo que é divulgado como absoluto pela mídia.

Danilo Neves disse...

Caro pr. Marcello: Obrigado por visitar novamente. Espero que possa haver sempre essa interatividade entre os nossos blogs, meu irmão. A idéia do jantar foi boa, rsrs. Vou fazer isso com um tio meu e depois ler pra ele Ap 4.11 pra fazer a digestão!

Caro pr. Marcos Serafim: As críticas são inevitáveis quando o assunto é esse. E que canseira que isso dá, as vezes! Além do darwinismo estar num contexto onde há o conceito de que fé e religião não se misturarem, tal teoria é aclamada não como teoria, mas como fato da Ciência. Somente Darwin explica! Qualquer cientista ou estudioso intelectualmente honesto sabe que hoje a teoria darwinista precisa ser no mínimo "revisada". Que o diga Michael Behe! Abç, meu irmão e obrigado por visitar este blog. Estarei te acompanhando também.

Caro xará Danilo: Tanto eu como você entendemos que realmente 100 anos é muito! Foi bem colocado pelo irmão que os tentáculos do Darwinismo estão também nas salas de aula (recentemente a nossa irmã Thaís Carles tava me dizendo que houve um debate na classe dela onde um grupo era evolucionista e o outro criacionista) e na mídia (de posição pagã, barulhenta e sensacionalista). Sem dúvida, a filosofia naturalista de Darwin foi a filosofia que MAIS impactou o mundo, dizendo que não existe um Criador, mas que o acaso, a matéria e os bilhões de anos fizeram tudo. Essa é a trindade dos darwinistas.

Precisamos ler, debater mais, e acima de tudo ter convicção sobre a nossa fé em Jesus. Os dias são maus...

Abç, Danilo!

Alice Francener disse...

Danilo,

Bem, eu dei uma olhada sobre o assunto para saber o que os livros acadêmicos falam já que não sabia a opinião da "comunidade científica" por não ter feito essa matéria ainda - Biologia do Desenvolvimento e Embriologia.

Um dos livros que pesquisei (Gilbert, Biologia do Desenvolvimento, 2003) havia 2 citações sobre
Haeckel. Uma delas transcrevi abaixo:

" [...], os organismos eram vistos através das mudanças no seu desenvolvimento embrionário. No início do século 20, essa fusão de evolução e embriologia foi mal interpretada apoiando o modelo linear de evolução (oposto ao ramificado). A interpretação de Ernst Haeckel foi de que muitos organismos evoluíram pela adição terminal de um estágio novo ao fim do anterior. Dessa maneira, ele interpretou todo o reino animal como representações de etapas encurtadas do desenvolvimento humano."

Mas realmente não encontrei nesse livro nenhum suporte à Lei da Biogenética, ela realmente foi uma farsa já não é aceita como Lei ou verdade científica. Mas esse livro só fala disso, que Haeckel mal interpretou os dados mas não fala que ele manipulou os dados.

Também li num site é que essa Lei da Biogenética daria bases para aceitar o aborto... já que os embriões "são" todos iguais e são parecidos com os bichos talvez eles usassem como argumento que os fetos não eram humanos ainda e assim poderiam aceitar o aborto.

Então esse post é bem relevante para todos nós já que essa é uma mentira que foi amplamente difundida (Danilo C. eu também aprendi como verdade com o Prof. que você não citou).

Anônimo disse...

Oi, pessoal: queria a opinião de voces sobre essa declaração:
"[T]here is no contradiction between an evolutionary theory of human origins and the doctrine of God as Creator."
— General Assembly of the Presbyterian Church
O documento original, que explica que não há incompatibilidade entre religião e evolução e aceita a teoria da evolução está em:

http://www.pcusa.org/theologyandworship/science/evolution.htm

Danilo Neves disse...

Caro Anômino:

A Presbiteriana dos US está com problemas seríssimos em sua doutrina e já deixou de ser conservadora a muito tempo! Em 2006, tardiamente, ela aprovou a união homossexual em consílio, pois a pressão era grande da ala liberal que recheia a Igreja. O problema é justamente essa ala, Anônimo.

Bem, minha opinião sobre o documento em si é a seguinte: é fato que a evolução é uma teoria naturalista ou materialista, ou seja, exclui qualquer intervenção sobrenatural ou divina ou metafísica, inclusive o Deus da Bíblia. Concordo com Michael Behe que o teísmo evolucionista (linha que a presbiteriana dos US segue) é uma contradição de termos. Logo, aqueles que juntam criacionismo com evolucionismo, precisam primeiro explicar pq estão juntando água e óleo. A verdade é que a PRESSÃO é muito grande sobre pastores e líderes. O darwinismo é mais do que uma teoria científica. É uma cosmosvisão que serve que tem sido aplicada na biologia, sociologia, geologia, cosmologia e também na teologia. Com isso, eles preferem aderir do que contrariar e então juntão as duas coisas "imiscíveis" por definição, ainda que estes sejam de igrejas históricas como a presbiteriana. Chegará o dia que leremos: "No princípio Darwin..."? MAS, qualquer cientista intelectualmente honesto sabe que as descobertas da bioquímica apontam para planejamento e não acaso, ou seja, a teoria darwinista ou neo-darwinista precisa ser no mínimo revisada! "Mas isso é um absurdo", dizem. A questão é que a maioria da comunidade científica diz disso! E os pastores também estão dizendo. Afinal, quem ficar do lado somente bíblico, deve pagar um preço muito alto. A proporção de força é um formiga para um elefante.

Grato pelo seu comentário. Sinta-se a vontade para retornar a este espaço.

Abç