domingo, 31 de maio de 2009

Chico Xavier Voltou!

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Chico Xavier está de volta, meus irmãos! Dessa vez ele "reencarnou" em um filme, que será lançado em 2010 (ver trailler acima). Não estou interassado no filme, mas estou interessado em saber o que os irmãos conhecem sobre o espiritismo.

Quando comecei a estudar essa seita, me deparei com algumas informações interessantes. Passarei algumas delas aos leitores do umpcgyn, pois, afinal de contas, é sempre bom sabermos onde pisamos antes de dar o primeiro passo. Precisamos conhecer as heresias (especialmente as que se dizem "cristãs") não para crer, mas para combater.

A crença na transmigração das almas apareceu na literatura hindu por volta do século VII a.C, embora sua origem possa ser muito mais remota. Os Upanixades, hinos védicos hinduístas, manifestavam claramente essa crença. O filósofo grego Pitágoras, que viveu no século VI a.C, advogava a metempsicose, ou transmigração das almas, como um meio para se alcançar a purificação total.

O espiritismo moderno surgiu em Hydesville, nos EUA, com as irmãs Margaret e Kate Fox. As duas eram ainda crianças quando, em 31 de março de 1848, aconteceram as primeiras manifestações espíritas. Começaram a ouvir-se pancadas na casa da família Fox e depois móveis passaram a mover de uma parte para outra. Kate, então, teve a idéia de comunicar-se com o poder invisível que produzia os ruídos, pedindo-lhes que repetisse o estalido de seus dedos. O pedido foi atendido. Kate e sua irmã desenvolveram um sistema de comunicação com o suposto espírito, que respondia as suas perguntas mediante um código previamente estabelecido.

Esses fatos foram amplamente divulgados e, pouco depois, sessões espíritas eram realizadas por toda a parte.

Em 1854, um homem chamado Foriter falou a Hippolyte Léon Denizard Rivail, um erudito professor de Fisiologia, Astronomia, Química e Física, sobre o fenômeno das mesas girantes e mais tarde falou-lhe também que era possível conseguir que elas falassem. A princípio Rivail considerou a idéia absurda, no entanto, um ano depois Rivail assistiu a uma reunião na casa de uma mulher chamada Plainemaison, onde presenciou fenômenos que o impressionaram profundamente.

Aceitando a teoria da intervenção de espíritos naqueles fenômenos, Rivail passou a frequentar uma casa onde eram realizadas sessões de mediunidade.

No dia 25 de março de 1856, numa sessão, Rivail recebeu, através de uma médium, a revelação de que certo espírito seria dali por diante seu guia espiritual. Esse espírito se identificou como "a verdade". Mais tarde foi lhe revelada a sua missão de divulgar a nova religião. Rivail veio a saber também que o espírito "a verdade" era o próprio Espírito Santo, o Espírito da Verdade que Jesus prometera enviar, conforme João 14.16,17a (OLHA A INTERPRETAÇÃO QUE O CARA DEU PRO TEXTO, rsrsrs).

Em consonância com a crença na reencarnação dos espíritos, Rivail adotou o pseudônimo de Allan Kardec, que teria sido o seu suposto nome numa encarnação anterior.

Kardec começou a fazer perguntas aos chamados "Espíritos Superiores", através de vários médiuns. Compilou e coordenou todas as perguntas e respostas (foram ao todo 1018). Surgiu então O Livro dos Espíritos, dando origem ao Espiritismo Kardecista, em 18 de abril de 1857, afirmando ser a terceira e última revelação de Deus à humanidade, sendo as duas anteriores o Judaismo e o Cristianismo. Este, segundo Kardec, havia apostatado da fé, desviando-se dos ensinamentos de Jesus; assim, seria preciso restabelecê-lo através do Espiritismo, considerando o Cristianismo redivivo (ou restaurado). O espiritismo seria o autêntico intérprete da "verdadeira doutrina" ensinada por Jesus.

A primeira sessão espírita registrada nos anais do espiritismo brasileiro foi realizada na noite de 17 de setembro de 1865, em Salvador - BA, sob a direção de Luís Olímpio Teles de Menezes. Este fundou no mesmo ano o primeiro centro espírita, como o nome de Grupo Familiar do Espiritismo. O Brasil é considerado a "pátria do Kardecismo", sendo Franscisco Cândido Xavier - o Chico Xavier - sua figura mais destacada.

Os principais grupos religiosos ligados diretamente ao espiritismo no Brasil são classificados em duas grandes categorias: o alto espiritismo - de origem Kardecista, incluindo a Federação Espírita Brasileira - e o baixo espiritismo, nome genérico dado aos cultos religiosos de origem africana que, chegando ao Brasil, incorporaram, com o passar do tempo, elementos do Kardecismo e do catolicismo popular, sendo por isso também designado como cultos afro-brasileiros, entre os quais se incluem a umbanda, o candomblé e outros.

"Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora" 1Jo 4.1

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Paulo Era Tricotomista??

"O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" 1Ts 5.23 (Paulo, cf 1.1).

Esse assunto dá muito pano pra manga! Quando alguns jovens falam disso comigo, falam com muitas dúvidas. Espero contribuir com mais dúvidas neste post, kkkkk...

Toda a questão gira entorno da seguinte pergunta: o homem, a sua natureza, é constituído de quê? Corpo e (alma = espírito) ou corpo, alma e espírito?

Antes, é bom dizer, sem ser muito simplista, que essa pergunta também foi feita fora do ambiente teológico cristão. Filósofos, especialmente os gregos (particularmente na concepção de Platão), imaginavam que o mundo material não havia sido criado por Deus e que este mundo estava em oposição a Ele. Daí era necessário um "poder mediador" que pudesse unir ou restabelecer a comunhão entre o mundo material e Deus, chamado de "alma universal". O conceito do homem no pensamento grego se moldou semelhantemente a essa idéia. O homem possui razão (nous), mas também um corpo material. E entre essas duas realidades deve haver necessariamente uma terceira que age como uma mediadora: a alma, que é capaz de dirigir o corpo em nome da razão. Tal pensamento era corrente no mundo romano e provavelmente influenciou vários teólogos cristãos, mesmo não havendo na Bíblia sustentação para isso.

Após o período apostólico, um dos mais antigos teólogos cristãos defensores da idéia tricotomista (tricha = "tríplice" ou "em três" + temnein = "cortar") foi Irineu. Ele ensinava que os incrédulos tinham apenas alma e corpo, enquanto os crentes possuiam, além dessas partes, o espírito, criado pelo Espírito Santo. Um outro teólogo geralmente associado à tricotomia é Apolinário de Laodicéia. A maioria dos intérpretes atribuiu a ele a idéia de que o homem consiste de corpo, alma e espírito ou mente (pneuma ou nous), e que o Logos ou a natureza divina de Cristo tomou o lugar do espírito humano na natureza humana que Cristo assumiu.

No século 19, a tricotomia ganhou mais força por ter sido ensinada por Franz Delitzsch com a publicação do livro System of Biblical Psychology na tentativa de construir uma pisicologia bíblica precisa, científica. Tentativa esta frustrada, segundo o próprio autor. No século 20 escritores como Watchman Nee, Charles R. Solomon e Bill Gothard também defendiam a interpretação tricotomista, além da famosa Bíblia com as referências de Scofield. Passaram-se os séculos e várias heresias surgiram (uma das mais famosas é a teoria do aniquilamento) e hoje várias igrejas foram influenciadas por tais escritores do passado e são favoráveis a idéia tricotomista. Você conhece alguma?

Frequentemente os tricotomistas apelam para 1Ts 5.23 como prova de sua opinião. Veremos!

Devemos observar, primeiramente, que essa passagem não é uma afirmação doutrinária, mas uma oração. Paulo roga que seus leitores tessalonicenses possam ser plenamente santificados e completamente preservados ou guardados por Deus até que Cristo venha outra vez. A plenitude da santificação, pela qual Paulo ora, é expressa no texto por duas palavras gregas. A primeira, holoteleis, é derivada de holos, que significa "todo", e de telos, que significa "fim" ou "alvo"; o termo, por sua vez, significa "todo de um tal modo que se alcance o alvo". A segunda palavra, holokleron, derivada de holos e kleros, porção ou parte, significa "completa em todas as suas partes". É interessante observar que na segunda metade da passagem, tanto o adjetivo holokleron como o verbo teretheie ("possa ser guardado ou preservado") estão no singular, indicando que a ênfase do texto está sobre a pessoa toda. Quando Paulo ora pelos tessalonicenses para que o espírito, alma e corpo de cada um deles possam ser guardados, ele obviamente não está tentando dividir o homem em três partes.

Num contexto mais amplo, as palavras hebraica e grega traduzidas como alma e espírito são empregadas muitas vezes sem distinção nas Escrituras.
1. O homem é descrito na Bíblia tanto como alguém que é corpo e alma como alguém que é corpo e espírito:
"Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma" (Mt 10.28); "Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito" (1Co 7.34); "Assim como o corpo sem o espírito é morto, assim também a fé sem as obras é morta" (Tg 2.26).
2. A tristeza é atribuída tanto à alma como ao espírito:
"levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundatemente" (1Sm 1.10); "Porque o SENHOR te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus" (Is 54.6); "Agora, está angustiada a minha alma" (Jo 12.27); "Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito" (Jo 13.21); "Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade" (At 17.16); "porque este justo [Ló], pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles" (2Pe 2.8).
3. O louvor e o amor a Deus são atribuídos tanto à alma como ao espírito:
"A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador" (Lc 1.46,47); "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força" (Mc 12.30).
4. A salvação é associada tanto à alma como ao espírito:
"acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma" (Tg 1.21); "que o autor de tal infâmia seja... entregue a Satanás, para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor" (1Co 5.3,5).
5. Morrer é descrito igualmente como a partida da alma ou do espírito:
"Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni" (Gn 35.18); "E, estendendo-se três vezes sobre o menino, clamou ao SENHOR e disse: Ó SENHOR, meu Deus, rogo-te que faças a alma deste menino tornar a entrar nele" (1Rs 17.21); "Não temais os que matam o corpo e não podem a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (Mt 10.28); "Nas tuas mãos, entrego o meu espírito" (Sl 31.5); "E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito" (Mt 27.50); "Voltou-se o espírito, ela imediatamente se levantou" (Lc 8.55); "Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!" (Lc 23.46); "E apedrejavam Estevão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!" (At 7.59).
6. Refere aos que já morreram como almas, algumas vezes, e como espíritos, outras vezes: Mt10. 28 (citado acima); "Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam" (Ap 6.9); "e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hb 12.23); "Pois também Cristo morreu... para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé" (1Pe 3.18-20).

Com exceção de 1Ts 5.23, em parte alguma o apóstolo empregou a linguagem tricotomista em relação a natureza humana e isso é evidente em passagens como Rm 8.10, 1Co 5.5; 7.34, 2Co 7.1, Ef 2.3, Cl 2.5.

1Ts 5.23 contém uma figura de linguagem, conhecida como perífrase, isto é, o uso de múltiplas palavras para firmar a idéia de totalidade, de algo completo, A mesma coisa encontramos em Mc 12.30 // Lc 10.27. "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força". Aqui quatro elementos são mencionados e Jesus, certamente, não estava querendo ensinar que o homem é constituído de quatro partes, mas estava enfatizando a idéia de que o homem deve amar a Deus com todas as faculdades que Deus lhe deu.

Portanto, Paulo não foi tricotomista como alguns querem que ele seja. A distinção que os tricotomistas fazem entre alma e espírito é infundada.
Soli Deo gloria. Amém!

sábado, 23 de maio de 2009

"O Pecado e a Crueldade do Utopismo"

"Se alguém nos perguntasse: "O que é a Bíblia?" provavelmente não começaríamos nossa resposta dizendo: "A Bíblia é um livro realista". Contudo, no século em que estamos esse poderia ser o melhor ponto de partida - enfatizar o realismo da Bíblia em contraste com o romantismo que caracteriza o conceito de religião do século 20. Para a maioria das pessoas modernas, a verdade é para ser buscada por meio de um salto do qual extraímos nossas próprias experiências.

Muitos sentem que a Bíblia devia retratar uma visão romântica da vida, mas a Bíblia é de fato o livro mais realista do mundo. Ela não diz de modo pouco sincero: "Deus está no seu céu - tudo está bem com o mundo!" A Bíblia encara de frente os dilemas do mundo. Contudo, diferentemente do realismo moderno que termina em desespero, a Bíblia tem respostas para os dilemas. E ainda, diferentemente do romantismo moderno, suas respostas não são otimismo sem uma base suficiente, nem esperança pendurada num vácuo.

Por isso devemos dizer de imediato às pessoas deste século: a Bíblia é um livro de fibra resistente.

O realismo da Bíblia conduz a muitas aplicações práticas... Pecado é pecado, e não podemos chamá-lo de menos do que isso. Não é um ato de amor explicar o pecado até desaparecer como sendo determinação psicológica ou condicionamento sociológico, pois ele é real e precisa ser tratado. Os homens necessitam de um Salvador. Portanto, os cristãos em nossa geração devem resistir ao pensamento relativista e determinista. Se vão encontrar uma solução real ao problema de quem eles são, os homens precisam vir a tempos com o fato de que precisam de um Salvador porque são pecadores na presença de um Deus santo. O pecado é coisa séria.

Do mesmo modo, como cristãos, o pecado em nossa vida também é coisa séria. Nunca nos cabe meramente explicá-la a ponto de fazê-lo desaparecer, seja em nós, em nosso grupo, ou em nossa família.

Por outro lado, saber que todos os homens são pecadores nos livra da crueldade do utopismo. O utopismo é cruel porque espera dos homens e das mulheres o que eles não são e não serão até que Cristo volte. Tal utopismo, esquecer o que a Bíblia diz sobre pecaminosidade humana, é duramente insensível; é coisa tão monstruosa quanto o pior que se pode imaginar.

Eu disse que o pecado é uma coisa séria e nunca podemos minimizar isso. Mas também estamos sendo menos do que bíblicos se escorregamos para o romantismo e utopismo.

Cristãos bíblicos nunca devem ter a reação descrita pela palavra chocados. Há um tipo de cristão que constantemente se espertiga todo e declara: "Estou chocado". Se está, não está reagindo à realidade como deve, porque é tanto contra o ensino da Escritura romantizar os homens, a si mesmo ou a outros como é explicar o pecado como não sendo nada. Por um lado, não devemos olhar os homens com um olho cínico, vendo-os apenas como produtos sem sentido do acaso; mas por outro lado, não devemos ir ao extremo oposto enxergando-os romanticamente. Fazer qualquer uma das duas coisas é deixar de entender quem os homens realmente são - criaturas feitas à imagem de Deus, mas caídas.

O entendimento cristão do ser humano não é apenas teórico. Os cristãos devem também ser capazes de mostrar mais compreensão às pessoas do que o cínico ou o romântico mostra. Não devemos nos surpreender quando um homem demonstra que é um pecador porque, afinal de contas, nós sabemos que todos os homens são pecadores. Quando alguém se senta para conversar comigo, devo transmitir-lhe (mesmo se não o expresso em palavras) a atitude de que tanto ele como eu somos ambos pecadores.

E de imediato, quando comunico essa percepção, uma porta se abre para o díalogo. Nada o ajudará tanto no encontro com os indivíduos, por mais que tenham ido longe ou o quanto já estejam enredados no horror moderno, como perceberem em você a atitude: "somos ambos pecadores". Isso não signifca que minimizamos o pecado, mas mesmo assim podemos mostrar que nós o compreendemos porque estamos no mesmo lugar. Podemos dizer "nós" em vez de só "você". Projetar choque como se nós fôssemos melhores bate a porta encerrando o diálogo de vez. Cada um de nós não precisa olhar além de si para saber que os homens e as mulheres são pecadores.

Utopismo é terrivelmente cruel porque espera das pessoas o impossível. Essas expectativas não estão baseadas em realidade. Elas se acham em oposição às possibilidades genuinamente possíveis dadas pelo realismo da Bíblia.

Utopismo pode causar dano. No lar, no relacionamento entre homem e mulher, nada é mais cruel do que a esposa ou o marido criar uma falsa imagem em sua mente e então exigir que o marido ou esposa esteja à altura desse romantismo falso. Nada destrói lares mais do que isso. Tal comportamento é totalmente contrário à doutrina bíblica do pecado. Mesmo depois da redenção, nós não somos perfeitos nesta vida. Não é que evitemos dizer que o pecado é pecado, mas precisamos ter compaixão cada um pelo outro, também.

Utopismo também causa dano no relacionamento entre pai e filho. Quando um dos pais exige de seu filho mais do que a criança lhe é capaz de dar, o pai ou a mãe a destrói, como também a distancia. Mas a criança também pode esperar demais de seus pais. O problema está dos dois lados. Em todo o mundo, talvez especialmente no mundo ocidental, as crianças estão esperando perfeição demais dos adultos. E porque o pai ou a mãe não chega à altura do conceito de perfeição da criança, ela o destrói.

Utopismo também é destrutivo com um pastor e seu povo. Quantos pastores não foram esmagados porque seu povo esperou que eles vivessem à altura de um ideal impossível? E quantas congregações não foram machucadas por pastores que se esqueceram que não se podia esperar que as pessoas em suas igrejas fossem perfeitas?

Se exigimos, em qualquer de nossos relacionamentos, ou perfeição ou nada, nós receberemos o nada. Só quando já aprendemos isso é que seremos cristãos que crêem na Bíblia, e só então compreendemos algo da vida. Só então podemos ser mais compreensivos com as pessoas e mostrar real compaixão. Consequentemente, repito, se em qualquer dos relacionamentos da vida exigirmos perfeição ou nada, teremos nada"



Francis Shaeffer

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Cabana

"Não é novidade que hoje em dia qualquer coisa que se passa por cristã é logo aceita por crentes professos. Sem nenhum discernimento, a maioria aceita na boa tudo o que é gospel: sejam cds, dvds, livros... A subcultura gospel está bombando. Grande parte dos evangélicos adotou o slogan pós-moderno: não julgar nada, não criticar nada, "o importante é o amor", "doutrina não é importante", "abaixo o preconceito". Não bastasse isso, eles colocam aquela capa de falsa piedade. Sim, ouse criticar algum desses para ver o que acontece. Serás um "Atanásio contra o mundo". Tente pregar a Palavra pura e simplesmente e verás que muitos dos teus "irmãos" não dão a mínima para ela. Querem é uma religião falsa. O deus deles é o próprio umbigo. No entanto, a Escritura nos diz para julgar todas as coisas e não dar crédito a qualquer espírito.

Um das novidades de hoje é o livro A Cabana. "O livro é uma ficção", dirão eles. Não importa! O Código da Vinci, que também é uma ficção, deu margem para um monte de velhas heresias gnósticas entrarem em cena. Hoje, acredita-se em tudo. Com o livro A Cabana não é diferente: ele ressuscita a velha heresia do Sabelianismo, ou Modalismo, e muitos cristãos professos acham que ele realmente fala sobre o Deus trinitariano. Peço que os cristãos que leram o livro pensem duas vezes ao indicarem a obra. Sei que até pastores têm indicado para suas igrejas. Vejam no vídeo abaixo o que o Pastor Mark Driscoll fala sobre o assunto. Se possível, estudem um pouco sobre Sabelianismo ou Modalismo e fiquem atentos. O diabo é sempre sutil".
Click AQUI para assistir o vídeo.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Agostinho e Calvino Falando Sobre os Anjos

"Com o nome de anjo se designa o ofício, não a natureza. Perguntas o nome desta natureza? É espírito. Procuras saber qual o seu múnus? É de anjo, mensageiro. Quanto ao que é, é espírito; quanto ao que faz, é anjo"

"Os anjos já existiam quando foram criados os astros. Ora, estes o foram ao quarto dia. Diremos, então, que foram criados ao terceiro? Claro que não. Sabemos muito bem o que nesse dia foi feito: a terra foi separada das águas, cada um destes elementos recebeu as espécies que lhes convinham e a terra produziu tudo o que nela cria raízes. Seria, porventura, no segundo? Também não. Nesse dia foi feito o firmamento entre as águas do alto e de baixo, dando-se-lhe o nome de Céu; e no firmamento foram criados os astros ao quarto dia. É, pois, claro que se eles se encontram entre as obras que Deus fez em seis dias, os anjos são essa luz que recebeu o nome dia; e foi para marcar a unidade que se não disse o primeiro dia, mas sim um dia. Porque o segundo, o terceiro e os seguintes não são outros, mas o mesmo dia único repetido para constituir o número seis ou sete, vem vista de um conhecimento senário ou septenário - o senário relativo às obras que Deus fez e o septenário relativo ao repouso de Deus"

"Não é lícito pôr em dúvida que as inclinações, entre si contrárias, dos bons e dos maus anjos, não resultam de naturezas e princípios diversos, pois foi Deus, autor e criador excelente de todas as substâncias, quem as criou a umas e outras - mas provêm das vontades e apetites. Uns mantêm-se no bem, comum a todos, que para eles é o próprio Deus, e na sua eternidade, na sua verdade, na sua capacidade; os outros, comprazendo-se mais no seu poder pessoal, como se fosse bem seu próprio, afastaram-se do supremo bem, fonte universal de felicidade e - preferindo o fausto da sua elevação à eminentíssima glória da eternidade, a astúcia da sua vaidade à plena certeza da verdade, as suas paixões de facção à indivisível caridade - tornaram-se orgulhosos, enganadores e invejosos. A beatitude daqueles tem, pois, por causa a união a Deus - e a desgraça destes explica-se pela razão contrária: a separação de Deus"


"Os anjos são despenseiros e ministradores da divina beneficência para conosco. E, por isso, a Escritura refere que eles montam guarda pela nossa segurança, assumem a nossa defesa, dirigem os nossos caminhos, exercem solicitude para que não nos aconteça algo de adverso"

"Ora, ainda que da diversidade de nomes concluamos que há várias ordens, todavia, investigá-los mais minuciosamente, fixar seu número e determinar suas hierarquias não seria mera curiosidade, e, sim, também temeridade ímpia e perigosa"

"É evidente que Deus emprega seus anjos de diferentes maneiras, pondo um só anjo sobre várias nações e também vários anjos sobre um só homem. Não há necessidade de sermos exigentes e escrupulosos inquirindo sobre o modo exato em que ministram juntamente para nossa segurança; basta que, conhecendo pela autoridade de um apóstolo o fato de serem eles designados como ministros sobre nós, descansemos satisfeitos como o fato de que estão sempre atentos a sua incubência. Lemos em outra parte sobre sua prontidão em obedecer às ordens divinas e executá-las; e isso deve contribuir para o fortalecimento de nossa fé, visto que Deus faz uso de seus esforços para nossa defesa"

"Eles foram criados para realçar a glória de Deus por todos os meios possíveis"

"Discorrendo sobre hieraquia, número e forma dos anjos, Calvino conclui: "lembremo-nos de que nos devemos guardar, seja de exagerada curiosidade em perquirir, seja de excessiva ousadia no falar"

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Booooooooa, Lutero!

"Os argumentos usados por Paulo são tão claros que é de admirar que alguém possa compreendê-los mal. Diz ele: "... todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer..." Rm 3.12

Estou admirado do fato de que certas pessoas afirmam: "Algumas pessoas não se extraviaram, não se fizeram inúteis, não são más e nem pecadoras. Há alguma coisa no homem que o inclina para o bem". Ora, Paulo não fez essas declarações em apenas algumas passagens isoladas. Algumas vezes ele as fez em termos positivos, em outras vezes, em termos negativos, usando palavras diretas ou utilizando contrastes. O sentido literal de suas palavras, todo o contexto e escopo de seu argumento, resumem-se neste pensamento: à parte da fé em Cristo nada existe senão pecado e condenação.

Meus oponentes estão derrotados, ainda que não queiram se render! Porém, não está ao meu alcance convencê-los disto. Deixo isto à operação do Espírito Santo".


Retirado do livro "A Escravidão da Vontade"