domingo, 27 de março de 2011

Qual é o antídoto para a divisão secular/sagrado?

Qual é o antídoto para a divisão secular/sagrado? Como ter a certeza de que nossa caixa de ferramentas conceituais fundamentadas na Bíblia para cada assunto que encontramos? Temos de começar estando completamente convencidos de que perspectiva bíblica sobre tudo, não apenas sobre assuntos espirituais. O Antigo Testamento nos fala diversas vezes que "o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria" (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10; 15.33). De modo semelhante, o Novo Testamento ensina que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3). Interpretamos estes versículos no sentido de sabedoria espiritual, porém o texto não estabelece limitação ao termo. "A maioria das pessoas tem a tendência de ler estas passagens como se dissessem que o temor do Senhor é o fundamento do conhecimento religioso", escreve Clouser. "Mas o fato é que fazem afirmação radical - a afirmação de que, de alguma maneira, todo o conhecimento depende da verdade religiosa."

Esta afirmação é mais fácil de entender quando nos damos conta de que o cristianismo não é único sob este aspecto. Todos os sistemas de crença trabalham do mesmo modo. Como vimos, o que quer que um sistema proponha como auto-existente é, em essência, o que se considera divino. E esse compromisso religioso funciona como o princípio controlador para tudo o que vem depois. O temor de algum "deus" é o princípio de cada sistema de conhecimento proposto.

Assim que entendermos como o primeiro princípio trabalha, fica claro que toda a verdade tem de começar em Deus. A única realidade auto-existente é Deus, e tudo o mais depende dEle para sua origem e existência contínua. Nada existe separado da sua vontade; nada está fora do escopo dos pontos decisivos centrais na história bíblica: a criação, a queda e a redenção.



Fonte: Nancy Pearcey. Verdade Absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Editora CPAD, Edição 1, p. 48,49, 2006.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mas, afinal, do que trata o cristianismo?


"O cristianismo fala do Deus vivo que, no cumprimento de suas promessas e como clímax da história de Israel, nos encontrou, salvou e nos deu nova vida em Jesus. Através de Jesus, a operação-resgate de Deus foi colocada em prática de uma vez por todas. Uma grande porta se abriu, e jamais poderá ser fechada. Trata-se da porta da prisão onde vivíamos acorrentados. Porém, nos foi oferecida a liberdade: liberdade de experimentar o resgate de Deus, de passar pela porta aberta e explorar o novo mundo ao qual agora temos acesso. Todos nós fomos especialmente convidados - ou melhor, convocados - a seguir Jesus e descobrir que esse novo mundo é, na verdade um lugar de justiça, espiritualidade, relacionamento e beleza*. Não devemos apenas desfrutar de todas essas coisas, mas trabalhar para que elas se tornem evidentes, assim na terra como no céu. Quando ouvimos a voz de Jesus, descobrimos que é essa voz que ecoa no coração e na mente de toda a raça humana."


Nicholas Thomas Wright**



*Essas são as quatro áreas de interesse no mundo contemporâneo, conforme ele desenvolve na primeira parte de seu livro.

**N. T. Wright é um dos mais conhecidos e respeitados estudiosos do Novo Testamento da atualidade. Bispo anglicano de Durham, na Inglaterra, foi professor das universidades de Cambridge e Oxford por vinte anos e é professor visitante de universidades como Harvard Divinity School, Universidade Hebraica de Jerusalém e Universidade Gregoriana em Roma, entre outras. É autor de mais de quarenta livros e articulista de jornais como The Times, The Independent e The Guardian.


Fonte: Simplesmente Cristão: por que o cristianismo faz sentido. Editora Ultimato, p. 104, 105.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pink falou e disse: doutrina é a base da prática e ignorar isso é heresia na certa!


Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

2 Timóteo 3.16,17

"É pela doutrina, ou ensino, que nos são reveladas as grandes realidades a respeito de Deus, de nosso relacionamento com Ele, de Cristo, do Espírito, da salvação, da graça e da glória. É pela doutrina (mediante o poder do Espírito) que os crentes são alimentados e edificados; e, quando há negligência na doutrina, forçosamente cessam o crescimento na graça e o testemunho eficaz. Como é triste, portanto, constatar que a doutrina atualmente está sendo depreciada como algo sem valor para a vida prática, quando, de fato, a doutrina é a própria base da vida prática. Há uma inseparável conexão entre o crer e a prática - 'Como imagina em sua alma, assim ele é' (Pv 23.7). A relação entre a verdade divina e o caráter cristão é de causa e efeito - 'E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará' (Jo 8.32). Ficamos livres da ignorância, dos preconceitos, do engano, das artimanhas de Satanás e do poder do mal; mas, se a verdade não é 'conhecida', então essa liberdade não existe na prática. Observe a ordem na passagem que iniciamos esse capítulo. Toda Escritura é útil, primeiro para o 'ensino'! A mesma ordem é observada em todas as epístolas, especialmente nos grandes tratados doutrinários do apóstolo Paulo. Lendo a epístola aos Romanos, podemos perceber que não há uma única admoestação nos primeiros cinco capítulos. Na epístola aos Efésios, não há qualquer exortação antes do quarto capítulo. A ordem de apresentação é: primeiro, a exposição de doutrinas; depois, admoestação ou exortação para que o ensino seja aplicado na vida diária.


A substituição da exposição doutrinária pela 'pregação prática', que atualmente lhe toma o lugar, é a causa fundamental de muitas das graves enfermidades que afligem a igreja de Deus. A razão por que há tão pouca profundidade, tão pouco entendimento, tão pouca apreensão das verdades fundamentais do cristianismo é que poucos crentes têm se firmado na fé, por não ouvirem a exposição das doutrinas da graça ou por não estudarem, pessoalmente, essas verdades bíblicas. Enquanto a alma não está firmada na doutrina da divina inspiração das Escrituras - sua inspiração plenária e verbal - não pode haver qualquer alicerce sólido em que fundamentar-se. Enquanto a alma ignora a doutrina da justificação, não pode haver qualquer segurança real e inteligente de sua aceitação no Amado. Enquanto a alma desconhece o ensino da Palavra a respeito da santificação, estará aberta para acolher todos os erros do perfeccionismo e outros ensinamentos errados. Assim poderíamos continuar, através de todas as doutrinas cristãs. É o ignorar a doutrina que tem tornado a igreja incompetente para fazer frente à crescente maré de infidelidade. O ignorar a doutrina é, em grande medida, o responsável pelo fato de milhares de cristãos professos serem cativados pelos numerosos 'ismos' dos nossos dias. Ter chegado a hora em que, em sua grande maioria, nossas igrejas 'não suportarão a sã doutrina' (2Tm 4.3) é razão por que elas estão se dispondo a acolherem doutrinas falsas. Naturalmente, é verdade que a doutrina, como todas as demais coisas que há nas Escrituras, pode ser estudada do ponto de vista meramente intelectual e frio; e que, quando assim examinados, o ensino e o estudo da doutrina devidamente acolhida, a doutrina estudada com um coração preparado, levará sempre a um mais profundo conehcimento de Deus e das insondáveis riquezas de Cristo."



Fonte: A. W. Pink, Deus é Soberano, p. 155,156.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Base Filosófica da Revolução Sexual

"Quando a existência de Deus não é mais um fato, mas uma crença subjetiva (e bastante controversa por sinal), a autoridade moral de Deus desaparece. Não é coincidência, portanto, que uma mudança drástica na natureza do casamento se seguisse imediatamente à mudança na filosofia dominante. As restrições legais ao divórcio e o estigma social se evaporaram praticamente do dia para a noite. O casamento deixou de ser uma aliança que envolve Deus e a comunidade, tanto quanto o marido e a mulher. Tornou-se um contrato comum que pode ser dissolvido à vontade por qualquer uma das partes. O que antes era considerado algo ilegítimo, como uma mulher ter um filho sem ser casada, tornou-se respeitável, e até mesmo a tradicional família com pai e mãe começou a parecer uma coisa ridícula, uma tentativa patética de simular esses seriados cômicos da TV que mostram uma família de sonho que nunca existiu na realidade.

Com a revolução do divórcio veio a revolução sexual, já que a morte de Deus e a disponibilidade de contraceptivos pareciam fazer da castidade uma coisa obsoleta. Seguindo na rasteira da revolução sexual, veio a revolução feminista, com uma ala radical que explicitamente rejeitava a família tradicional, tida antes como a coluna da sociedade. O feminismo exigiu o direito irrestrito ao aborto, e a Suprema Corte prontamente o incluiu na Constituição e o impôs à nação relutante. A liberação homossexual veio em seguida. Os ativistas homossexuais rapidamente ganharam a condição de 'vítimas' e o consequente apoio da mídia para suas causas. A Suprema Corte outra vez alinhou-se complacentemente com a tendência cultural e consegui encontrar na Constituição um princípio de que leis baseada em hostilidade em relação ao homossexualismo são inconstitucionais. A inversão moral e legal não podiam mais ser contidas, uma vez que uma mudança fundamental havia sido feita na filosofia religiosa oficial."


Fonte: Phillip E. Johnson, Como derrotar o evolucionismo com mentes abertas, pg. 114,115.

sábado, 20 de novembro de 2010

Apoio à Universidade Presbiteriana Mackenzie



A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro. Para ampla divulgação.

sábado, 6 de novembro de 2010

Igreja (IPR) num Apto: missão numa cultura urbana emergente

"Gostaria de encerrar este capítulo falando acerca de uma igreja local em particular. Como qualquer outra igreja local, ela também tem seus problemas. Porém, está repleta de características inteiramente admiráveis.

Essa igreja começou há apenas uns vinte anos com um pequeno grupo que se reunia em um apartamento. Eram comprometidos com sua fé e obediência a Jesus, e desejavam ardentemente alcançar os não convertidos da região metropolitana em que estavam localizados. O homem que aceitou ser o pastor dessa comunidade não apenas tinha um excelente domínio da teologia bíblica, mas era extraordinariamente perspicaz na leitura que fazia da cultura urbana e bastante pós-moderna que os cercava. Muitos que frequentavam a igreja tinham profunda convicção de que o cristianismo vivido por aqueles cristãos era autêntico; a mensagem soava verdadeira, o culto comunitário (um tanto tradicional pela manhã e mais inovador à noite) era cheio de vitalidade, integridade e de expressões genuínas de contrição e louvor.

Embora estivesse ligado a uma tradição teológica específica, seu jeito não era visto como arrogante, mesmo quando encorajavam um profundo confessionalismo. Sua denominação tinha pouca representatividade demográfica em sua cidade, de modo que o crescimento que experimentaram não foi alcançado pela transferência de fiéis das igrejas irmãs: em sua maior parte era fruto de conversão. Conseguir penetrar aqueles blocos fechados de apartamentos e a cultura yuppie de uma grande cidade nunca é tarefa fácil, mas centenas e posteriormente milhares de pessoas estavam se convertendo, dando origem a uma congregação em que a média de idade estava na faixa do final dos vinte e começo dos trinta anos: era a geração pós-moderna que estava sendo mais impactada. Ao longo de duas décadas essa igreja plantou inúmeras congregações na região metropolitana em que estava radicada e, então, passou a ajudar a plantar outras igrejas de outras regiões metropolitanas.

A grande ironia é que, embora toda essa descrição soe como um exemplo fenomenal de uma igreja emergente, é completamente improvável que a igreja de que falo - a Redeemer Presbyterian Church [Igreja Presbiteriana Redentor] de Nova York - identifique-se dessa forma. No entanto, o motivo pelo qual falo dessa igreja deve ficar claro: ela demonstra possuir muitos dos pontos fortes do movimento emergente, mas ao mesmo tempo escapa de muitos dos seus pontos fracos. Em outras palavras, o movimento emergente tem vários pontos fortes, pelos quais devemos ser gratos - mas que, no entanto, não são uma exclusividade desse movimento. Na verdade, eu poderia citar uma série de igrejas locais que partilham dos mesmos pontos fortes do movimento emergente, mas que não gostariam de ser identificadas dessa forma. Isso demonstra que o movimento emergente está por dentro de algo. Significa que mais e mais igrejas sentem a necessidade de mudança em resposta à cultura, ainda que não concordem quanto a como essa mudança deva se parecer.

Essa sóbria realidade sugere que, tendo visto os pontos fortes do movimento emergente, devemos também refletir sobre seus pontos fracos."



Fonte: Igreja Emergente - o movimento e suas implicações. D. A. Carson. Vida Nova, p. 66-67. 2010.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Ortodoxa" e não relevante?

"...Se a juventude de hoje está à procura das coisas certas (significado, paz, amor, realidade) ela as tem procurado nos lugares errados. O primeiro lugar onde deveriam procurar é um lugar onde normalmente ignoram, isto é, a igreja. Pois, com demasiada frequência, o que vêem nas igrejas não é a contracultura*, mas o conformismo; não uma nova sociedade que concretiza seus ideais, mas uma versão da velha sociedade a que renunciaram; não a vida, mas a morte. Prontamente endossariam o que Jesus disse de uma igreja do primeiro século: "Tens nome de que vives, e estás morto."**"

*cultura alternativa, cuja fé-ética-moral fixa-se nas Escrituras, particularmente no Sermão do Monte (Mateus 5.1-8.1 // Lucas 6.17-7.1).
**Apocalipse 3.1


Fonte: A Mensagem do Sermão do Monte - Contracultura Cristã, John Sott, ABU, 3 ed., p. 3.